sexta-feira, 21 de maio de 2010

O jogo do ano, ou melhor da década!



Você lembra da sensação de comer algo a seco? Horrível, não? Pois tal sensação só se vai quando você bebe algo (preferencialmente de cevada e bem gelado), não é mesmo? Que delícia! É como se vingar...

São Paulo x Cruzeiro, Morumbi, 55mil pessoas. Uma quarta a noite de temperatura agradável. Quartas de Final do torneio de futebol mais disputado do mundo e, pra mim, o mais interessante. Como um são paulino inveterado lá estava eu, ingresso ganho através do bom camarada Ricardo que me acompanhava. Das cadeiras cativas azuis (lugar privilegiado pra se ver o jogo, mas que perde umpouco no quesito vibração - nem tanto na Liberta) víamos o Coliseu se enchendo. E o Cruzeiro entrando já encharcado pela tempestade de vaias e xingos. Nem preciso relatar a entrada do maior do mundo...
Começa o jogo: acaba o jogo pro Cruzeiro. Seu grande jogador, ator canastrão de uma falseada lesão, dá um tapa em noso terceiro zagueiro, o (bom) Richarlyson. Já sei, já sei. Não era lance de expulsão, etc. Você não diria isso pra massa vermelha preta e branca que pulava e gritava, tal qual uma horda Kubrickniana... Ali começava a noite da década dos tricolores que como eu, estavam com o Cruzeiro entalado desde aquela final da Copa do Brasil de 2000, que atrasou nosso tri em 5 anos.

Adilson teimou em, precisando do resultado, entrar com 3 volantes. Seus laterais pareciam acreditar nas bobagens ditas por Tiago Ribeiro no meio da semana. O ex-jogador de campeonato paulista do Sampa disse que a torcida começa a pegar no pé se o time leva gol. Pobre inocente. Nunca havia pisado no Coliseu com a massa empurrando o maior do mundo na Liberta. Sem alternativas, Tiago corria, corria, corria. E o São paulo, levado pela torcida e pelo Know-how de la Copa, jogava fácil. Destaques para Cicinho, garra e disciplina fundamentais em que pese a falta de condicionamento; Alex Silva, preciso e seguro, até mais que o Miranda; Jr. César pela velocidade e o lance lindo do primeiro gol; Dagoberto e sua eterna malícia com a bola nos pés e fernandão por sua eterna malícia SEM a bola nos pés.

Vi vários jogos no Coliseu. Alguns memoráveis, outros pra se esquecer. Mas o de quarta (escrevo só hoje porque acompanhava mais uma de nossas ocupações de luta por moradia na cidade de Santo André) foi simplesmente o jogo da década. O São Paulo pôde comprovar que nesse torneio não é o técnico ou o craque o mais importante. La Copa é questão de saber jogá-la. E poucos sabem. Não foi possível pra mim analisar a partida friamente. Estava completamente entorpecido pelo tricolor. Por isso hoje o post é pra constar e, claro, por pra fora essa alegria.
Após a Copa, teremos as semifinais. Será o jogo mais difícil do São Paulo. Porque? Porque o Inter é sim um time copeiro. Agrava-se a situação por dois motivos: 1-eliminou o atual campeão que é argentino; 2-o time tem um monte de argentino. Mais tarde faremos uma análise mais fria. Mas registre-se: a vingança parte 2 não será fácil.

PS: quanto à eliminação do nosso Grêmio, sabíamos que somente o futebol raça não era suficiente pra segurar o pacote de craques que o medroso Dorival Jr tem nas mãos. Ponto pro Santos que tem um time memorável. Ganha a Copa do Brasil, vende Ganso e Neymar, devolve o Robinho pra Europa e pena no campeonato brasileiro.
Flamengo: como eu já tinha dito, joga parecido com o Corinthians na Liberta: parece que tá num campeonato de pontos corridos, que a qualquer hora dá pra acordar. Se penou: La U, time com a tradição de um Corinthians no Chile, vai às semi.