quarta-feira, 5 de maio de 2010

Brasileirão


A série A do brasileiro é tida e havida como uma das mais equilibradas do mundo. 16 campeões diferentes mostram que nunca se sabe o que pode acontecer. Li isso no site FIFA, um manancial de informações e estatísticas oficiais; aliás, no mundo da informação, o futebol não está de todo mal servido.

Prosseguindo. Esperei até os campeonatos regionais se decidirem e ver quais serias os semifinalistas da Copa do Brasil. La Copa, bem, é uma outra realidade praticamente. Mas em termos de Brasileirão, esses índices são traiçoeiros, mas dão o espírito da época. Estamos defronte de equipes baqueadas, que estão em pleno desenvolvimento. Grêmio, Santos e Cruzeiro (que deve ser considerado pelo que aprontou hoje no Uruguai) largam em vantagem. Mas também sofrem mais da pressão de um bom start, dividindo atenção no começo com o final de competições bem mais complicadas. Correndo por fora vem São Paulo, Flamengo e Botafogo (embora esteja com cara de fogo de palha: aqui é ainda a mesma que sofreu um apagão no salão de festas do Maracanã frente ao Vasco, recém egresso da segundona). O resto, só o tempo e a janela de meio de ano vão dizer. Acresce que temos um mundial em junho, que vem se convertendo numa das grandes vitrines. Por isso um recado aos santistas: Ganso e Neymar supririam como luvas as dificuldades de criatividade e velocidade que os times europeus andam sofrendo.

Diante deste quadro, ir a um mundial pode ser a chance de entrar e entrar muito bem no mercado europeu. A imprensa não é boba, nunca se esqueça. Tudo faz parte do plano, como diz o Coringa. E pra ser campeão, é preciso ir aos ares com os planos. Seja de mafiosos, seja da imprensa festiva do futebol "arte". Ou mesmo dos agentes inesscrupulosos que fingem que são técnicos ou mesmo comentaristas. É sob essa pressão que os times entram em campo tentando, numa competição longa e equilibrada, tentar fazer o ano. Mas não esqueçam que este ano a Sulamiranda vale La Copa. É mais um atalho. Mas eu ainda prefiro a Copa do Brasil...

Que venha o Santos...

La Copa


Ontem, Velez x CHIVAS (viu, globo?) foi das batalhas épicas típicas deste que, para mim, é o campeonato mais emocionante de todos. Contra os tapetes verdes dos europeus e seu futebol multimilionário e corrupto, a nossa corrupção em campos esburacados, nas batalhas campais dignas dos mais pelejadores adjetivos (geralmente imputados, ainda que sob signos negativos, ao Grêmio - coisa de imprensa vermelhida). O Vélez precisava do impossível: fazer 3 gols para levar aos pênaltis. A defesa do CHIVAS foi resistente e segurou um 2 a 0 na ponta dos dedos, como se diz na fórmula 1. E literalmente, nas mãos do goleiro Sanchez que virou muralha (Goleiro e Volante sempre fazema a diferença). Um passe obtido com derrota, mas sem esmorecimento: apesar de não valer muito para os Concacafianos, e do CHIVAS ter sido colocado nas oitavas este ano por causa da Gripe A, o CHIVAS se comportou com firmeza defensiva, num envolvente jogo de ataque vs defesa dignos e qualquer outra competição. É claro que sem as belezas e o hype que sempre acompanham as partidas do outro lado do Atlântico (aquele, dos tubarões que adoram carne humana), mas com algo chamado espírito e garra. Coisa que com os bolsos muito cheios fica difícil de aimentar. O São Paulo nos pênaltis, depois de tanto insistir, conseguiu levar a vaga nos penais. Foi pouco, mas foi o suficiente por ora. E agora, vamos ver quando enfrentar times que saibam atacar.
Estudiantes carimbou com garbo e gols sua classificação e esperam entre Banfield (invicto fora de casa) e Amargos (com o garboso título de "campeão-que-caiu-na-primeira-fase" de 2007). Devem chegar fácil, fácil às semi e aí, vem os brasileiros. Vamos ver.
Cruzeiro joga agora contra com o Nacional, que mesmo com um 3 a 1 de desvantagem, vai usar sua fanática torcida como combustível para o 2 a 0 que classifica. [Tiago Ribeiro já até levou um copo d'água]. Leve pendor para os azuis mineiros, mas não vamos exagerar. É so segurar a pressão, que é enorme.
Entre o jogo mais comentado da semana, nenhum favorito destacado: excetuando a vitória por diferença simples, as equipes vem cambaleando, ainda em fase de ajustamento, atrasadas demais em relação aos adversários. Sem contar que são times sem lá muita tradição em competições internacionais (ora, quem não esquece de Cabañas 3 x 0 Framengo no salão de festas do Maracanã? ou então os "Riverazos" dos anos 2000 ou mesmo as derrotas para Marcos...?). Não vão fazer muita diferença mesmo. Mas quem sabe? O Mano já chegou perto uma vez. Mas daquela vez, o time era bem outro...
Isso é só o começo do fim. Segurem-se!

A propósito de volantes, vitórias e títulos

Bom, deixe-me apresentar: sou um ardoroso defensor do volante como peça princpal do xadrez tático dos times multicampeões (lembra, Barba?). E time campeão vence, mas sabe ganhar perdendo. Bom, minhas teses são egressas, é claro, do fato de torcer para o time que torço. Sim, sou gremista tipo doente. Mas não sou tão chato, como alguns são-paulinos adoram ser (e a imprensa adora falar bem...) esfregando seus títulos em circundados de perto por ameaças à lisura dos campeonatos. Além de tudo, vitória das vitórias, o futebol brasileiro ficou de joelhos por um futebol cujo o maior craque revelado no tricampeonato dos tricoletes era, pois, um garboso, e ambidestro!, Volante. Sim em maiúscula. Afinal de contas, sabe dar carrinho e dar bom passe. E Volantes fazem isso com perfeição. São os cavalos desse xadrez, atropelando quem vier pra frente, atacando com ferocidade sempre que possível.
Mas voltemos. A provocação, agora, se volta à questão Dunga: uma falsa questão, é verdade, mas que mostra para onde se tem direcionado a imprensa nativa do país do futebol (e os 5 troféus no armário mostra bem o quanto é sua superioridade): em ver da eficiência modesta e campeã de Dunga e apontar como casar a habilidade com títulos (coisa que em 82, 86 e, vamos vai, 2006 - Robinho era banco e um símbolo da "audácia" de Parreira, derotado pelo mesmo Robinho e companhia bela numa das últimas partidas emocionantes com final - que aliás prefiro em certas circunstâncias), preferem ver o quanto de feijão-com-arroz de patinho feio. Olha gente, nenhuma das selesções citadas chegou perto de fazerem o argentinos tremerem como a nossa. Muito menos municiaram os comentários arrogantes dos "favoritos" europeus (a Espanha não é favorita, já digo desde já).
O Dunga (vermelho, deixemos claro) foi um técnico surpreendente. Para um primeiro trabalho, seu currículo impressiona e assusta muito mais talvez do que até 2006, a mesma que chegou com atacantes obesos, muita fanfarra e saiu numa jogada que, francamente, você aprende na escolinha. Isso se você quiser ir numa. Por isso, um certo derrotismo sobranceiro ocupa a mente dos nossos jornalistas; e por não ter como alimentar e "repercurtir" polêmicas, inventam várias. Em vez de perguntar porque não levar Neymar, deveriam perguntar ao Dunga como fazer com que a lentidão do Gilberto Silva será remanejada para melhor qualidade do combate e do passe, sem tomar correria dos "asiáticos" (sejamos incorretos, docemente incorretos), por exemplo. Perguntas objetivas para problemas objetivos. Discutir sobre a ida ou não de jogadores jovens que nunca vestiram a camisa da seleção (manto, só o tricolor) numa copa equilibrada como essa (embora com alguns favoritos destacados) é uma temeridade que o temperamento de Dunga não se dá com frequência.
E aí voltamos ao início: quem no campo deve ser a peça principal para conferir a objetividade e até o espaço para firulas ocasionais? Sim, ele, o Volante. O técnico da seleção (a única que nem precisa de adjetivo...) tem de preencher bem essa função. É por aí que tem de se começar a montar o time. Os "xerifes" dele não são os melhores disponíveis, mas ele acredita neles. Esse caso me faz lembrar de Marcos, constestado em 2002, mas que hoje é lembrado como um dos artífices da belíssima vitória sobre os alemães em Yokohama. Felipão confiava nele e isso fez com que víssemos um dos maiores da posição em ação num campeonato de alto nível (não obstante a arbitragem - que apesar dos desacertos, acabou por colocar frente a frente as duas maiores forças do futebol, as quase antípodas...). Mas não adiantemos os sucessos. Como bom Volante que foi (cujo maior defeito foi ter trajado vermelho) essa questão é o que lhe tira o sono. E é por aí que podemos colocar a sexta taça no armário. Ou não.

Invertendo as sentenças


Uma das primeiras postagens foi uma brincadeira em relação à reação da imprensa em caso de hexa. Vejamos como seria em caso de novo fracasso, sabendo que não devemos dar muita bola pra o que dizem esses jornalistas gordos. A imprensa é formada por empresas que visam o lucro. Portanto esses analistas não nos interessam. Vamos desafiá-los:

1- Esse negócio de família não dá certo. Dedicação é coisa de mãe. Jogador tem é que jogar...

2- Dunga nunca foi treinador, jamais será depois da copa 2010;

3- Nomes como o de Felipe Melo não são dignos de vestir a amarelinha...

4- O futebol brasileiro perdeu a graça. Cadê o futebol arte??

5- O Ganso, Neymar e o Ronaldinho teriam resolvido essa parada, com certeza!

6- Com adversários tão fracos (Coréia do Norte, etc) como tivemos tanta dificuldade???!!!!

7- A imprensa tem méritos: criticou Dunga desde o início e só deu trégua quando ele VENCEU;

8- Um técnico com nome de anão não poderia dar certo...

9- Claro que perdemos! Vejam só o meio de campo que ele mandou: só tem brucutu! Faltou criatividade...

10-Fora Dunga!! Volta Felipão!