domingo, 16 de maio de 2010

Os EUA

Bom, uma seleção sem apelido ofical para seu time. Daí já dá pra perceber que embora sempre seja um time enjoado, a falta de popularidade condena ao ostracismo as vitórias do time masculino. De qualquer forma, depois do vice na copa das Confederações, superando a Espanha numa semi de garbo e deixando a campeã mundial Itália no caminho da primeira fase, os ianques estão bem mais confiantes de que conseguiram ao menos sonhar nesta edição com o resultado obtido na Coreia do Sul/Japão, quando caíram diante de Ballack & cia nas quartas.

De resto, nada muito a dizer sobre o time. É um time burocrático, mas rápido. E se deixarem jogar, pode aprontar feio, como acabaram fazendo com a Espanha e quase fizeram com o Brasil ano passado nas Confederações. De interessante, foram alguns dos jogadores na seleção ianque que ajudaram a tirar do Brasil o mundial sub-20 de 2007. Enfim, é pouco, mas se repetirem o placar de seu primeiro e único confronto com sua ex-metrópole na estreia no mundial já pode fazer história e abrir caminho para a classificação num grupo que apresenta duas incógnitas: Eslovênia (que eliminou a forte seleção russa na repescagem, semifinalista da Euro'08) e Argélia (que caiu nas semi da copa das Nações Africanas diante do mesmo Egito que havia tirado do mundial, e que acabou sendo o tricampeão), cujos resultados não tem sido muito animadores ultimamente.

Para aumentar a temperatura de um grupo aparentemente morno, o jogo de abertura da chave está marcado sob o signo da ameça de atentado: por causa do alinhamento dos dois países na era Bush (como já mencionei no post sobre a Inglaterra aqui), o jogo com os ingleses pode se converter no alvo preferencial dos diversos inimigos angariados nos oito anos dos falcões na Casa Branca. Sem falar que a tradicional rivalidade que existe entre ex-colônias e ex-metrópoles sempre põe um tempero no jogo. Se contarmos que os EUA, no estádio Independência, em BH, aprontaram a maior zebra pra cima dos soberbos ingleses, os "pais do futebol" no mundial do Brasil, em que eles se deixaram convidar pra ganhar de lavada e caíram na primeira fase, o confronto, mesmo 60 anos depois, deixa o jogo com uma cara de encontro de tostão com o milhão. E num clima de revanche, ainda maisque o Team é tido como um dos favoritos destacados a levar essa chave.

A seleção do técnico Bob Bradley, não obstante a sobra nas eliminatórias e o resultado surpreendente na Confederações, segue contestada, segue a pré-lista dos ianques:

Goleiros: Brad Guzan (Aston Villa-ING), Marcus Hahnemann (Wolverhampton-ING) e Tim Howard (Everton-ING)

Defensores: Carlos Bocanegra (Rennes-FRA), Jonathan Bornstein (Chivas USA), Steve Cherundolo (Hannover-ALE), Jay DeMerit (Watford-ING), Clarence Goodson (IK Start-NOR), Chad Marshall (Columbus Crew), Oguchi Onyewu (Milan-ITA), Heath Pearce (FC Dallas) e Jonathan Spector (West Ham-ING)

Meias: DaMarcus Beasley (Glasgow Rangers-ESC), Alejandro Bedoya (Orebro-SUE), Michael Bradley (Borussia Monchengladbach-ALE), Ricardo Clark (Eintracht Frankfurt-ALE), Clint Dempsey (Fulham-ING), Landon Donovan (Los Angeles Galaxy), Maurice Edu (Glasgow Rangers-ESC), Benny Feilhaber (AGF Aarhus-DEN) Stuart Holden (Bolton-ING), Sacha Kljestan (Chivas USA), Robbie Rogers (Columbus Crew) e Jose Torres (Pachuca-MEX)

Atacantes: Jozy Altidore (Hull-ING), Edson Buddle (Los Angeles Galaxy), Brian Ching (Houston Dynamo), Robbie Findley (Real Salt Lake), Herculez Gomez (Puebla-MEX) e Eddie Johnson (Aris-GRE)

The English Team


Dando sequência ao especial mundial 2010, o primeiro em África, falaremos dos pretensos "inventores" du futebol moderno. Com uma estrela de campeã no peito, e um futebol de clubes dos mais badalados, endinheirados e hypeados do planeta (bem, nenhum deles passou sequer das quartas da UCL - em contraste absoluto com 2009, quando tinham três nas semi... e perderam para o espanhol Barcelona!), a Inglaterra sempre tem a porta da frente para entrar no campeonato mundial; mas acabou constantemente saindo na porta dos fundos. Argentina, Brasil e Portugal eliminaram os ingleses nos três últimos mundiais, tornando o retorno às semi do torneio adiado por ainda mais tempo: desde a derrota para a Alemanha Ocidental no mundial da Itália, "the team" ainda não conseguiu fazer jogar juntos as estrelas dos seus milionários clubes. Ao menos, não até agora.

Depois de ficar fora da Euro mais eletrizante dos últimos tempos, os ingleses descontaram fazendo uma eliminatória impecável. Tudo bem que o grupo de bom mesmo só tinha a Croácia e a Ucrânia, mas na Europa só tem time ruim mesmo, não é verdade? O brabo é ter 13 deles sempre nos mundiais. Já passou da hora de refazer essa contagem. Enfim, polêmicas a parte, o time é redondinho, tem um meio campo poderoso e um dos atacantes de maior destaque. Pensar em algo menos que uma semi desta vez, não só é ridículo como muito abaixo da arrogância britânica, a mesma que botou o mundo inteiro sob a cruz do seu Império por quase dois séculos.

Além de pais putativos do futebol moderno, cujas regras são basicamente as mesmas que o atualmente praticado, a Inglaterra, parte d Reino Unido da Grã-Bretanha tem uma série de outras particularidades, como a manutenção de um regime monárquico quase anacrônico (só países pequenos e a Espanha no ocidente eruopeu mantiveram a monarquia depois da onda republicana que se abateu por sobre o continente a partir do séuclo XVIII), um regime poliítico bem polarizado entre tories (conservadores) e labours (trabalhistas) e também toda a pompa e circunstâncias que muito fez sangrar a Europa e que é quase extinta no continente.

Nos anos Bush, o Reino Unido alinhou-se quase automaticamente às incrusões e aventuras dos ianques na Ásia Central e no Oriente Médio. Teve como resultado um atentado a Londres em 2005, em seu famoso metrô, e a trapalhada policial e paranóica que levou à execução sumária de Charles Menezes. Sem falar do quanto estão penando agora por causa da crise econômica resultante justamente do estouro da bolha imobiliária, esta toda inflada a base do imoralismo e da corrupção privada, na obtenção desenfreada do lucro. Aliás, é bom ver bem quais países acabaram sofrendomais com essa crise e que características tinham suas economias que as deixaram vulneráveis.

Para além disso, assim como de 1966 não vence um mundial nos gramados, há muito tempo os ingleses perderam seu protagonismo e sua tão propalada unidade, sendo hoje em boa parte composta por diversos grupos étnicos e que sofrem cada vez mais o vitupério e a desconfiança dos "legítimos" (como se isso realmente tivesse algum dia existido...). Com a derrota do centro nas eleições deste ano, só resta esperar como os tories vão lidar com o legado neoliberal dos trabalhistas (não, você não leu errado), depois de mais de uma década destes útimos no poder.

O time, pois, joga nas já tradicionais duas linhas de 4, com dois atacantes, um pra fazer o pivô e outro pra se movimentar mais (no caso Rooney, em grande fase, podendo ter outras variações, uma vez que Heskey, no papel de pivô, anda dando bola fora). Bem mais do que o ainda mais tradicional chuveirinho, mas talvez ainda falte algo para este time realmente engrenar e fazer o que se espera dele. Sanada a dificuldade de colocar Gerrard e Lampard para jogarem junto, pensava-se que o time jogaria por música, tendo dois laterais e dois meias que apoiavam e marcavam com disposição. Mas não era tudo e a derrota para o Brasil ano passado os fez perceber que não eram tudo aquilo que pensavam.

A lista de Fabio Capello, o italiano por trás da quase imbatível Juventus de anos atrás, é esta:

Goleiros: Joe Hart, David James, Robert Green

Defensores: Leighton Baines, Jamie Carragher, Ashley Cole, Michael Dawson, Rio Ferdinand, Glen Johnson, Ledley King, John Terry, Matthew Upson, Stephen Warnock

Meias: Gareth Barry, Michael Carrick, Joe Cole, Steven Gerrard, Tom Huddlestone, Adam Johnson, Frank Lampard, Aaron Lennon, James Milner, Scott Parker, Theo Walcott, Shaun Wright-Phillips

Atacantes: Darren Bent (desistiu), Peter Crouch, Jermain Defoe, Emile Heskey, Wayne Rooney