quarta-feira, 5 de maio de 2010

A propósito de volantes, vitórias e títulos

Bom, deixe-me apresentar: sou um ardoroso defensor do volante como peça princpal do xadrez tático dos times multicampeões (lembra, Barba?). E time campeão vence, mas sabe ganhar perdendo. Bom, minhas teses são egressas, é claro, do fato de torcer para o time que torço. Sim, sou gremista tipo doente. Mas não sou tão chato, como alguns são-paulinos adoram ser (e a imprensa adora falar bem...) esfregando seus títulos em circundados de perto por ameaças à lisura dos campeonatos. Além de tudo, vitória das vitórias, o futebol brasileiro ficou de joelhos por um futebol cujo o maior craque revelado no tricampeonato dos tricoletes era, pois, um garboso, e ambidestro!, Volante. Sim em maiúscula. Afinal de contas, sabe dar carrinho e dar bom passe. E Volantes fazem isso com perfeição. São os cavalos desse xadrez, atropelando quem vier pra frente, atacando com ferocidade sempre que possível.
Mas voltemos. A provocação, agora, se volta à questão Dunga: uma falsa questão, é verdade, mas que mostra para onde se tem direcionado a imprensa nativa do país do futebol (e os 5 troféus no armário mostra bem o quanto é sua superioridade): em ver da eficiência modesta e campeã de Dunga e apontar como casar a habilidade com títulos (coisa que em 82, 86 e, vamos vai, 2006 - Robinho era banco e um símbolo da "audácia" de Parreira, derotado pelo mesmo Robinho e companhia bela numa das últimas partidas emocionantes com final - que aliás prefiro em certas circunstâncias), preferem ver o quanto de feijão-com-arroz de patinho feio. Olha gente, nenhuma das selesções citadas chegou perto de fazerem o argentinos tremerem como a nossa. Muito menos municiaram os comentários arrogantes dos "favoritos" europeus (a Espanha não é favorita, já digo desde já).
O Dunga (vermelho, deixemos claro) foi um técnico surpreendente. Para um primeiro trabalho, seu currículo impressiona e assusta muito mais talvez do que até 2006, a mesma que chegou com atacantes obesos, muita fanfarra e saiu numa jogada que, francamente, você aprende na escolinha. Isso se você quiser ir numa. Por isso, um certo derrotismo sobranceiro ocupa a mente dos nossos jornalistas; e por não ter como alimentar e "repercurtir" polêmicas, inventam várias. Em vez de perguntar porque não levar Neymar, deveriam perguntar ao Dunga como fazer com que a lentidão do Gilberto Silva será remanejada para melhor qualidade do combate e do passe, sem tomar correria dos "asiáticos" (sejamos incorretos, docemente incorretos), por exemplo. Perguntas objetivas para problemas objetivos. Discutir sobre a ida ou não de jogadores jovens que nunca vestiram a camisa da seleção (manto, só o tricolor) numa copa equilibrada como essa (embora com alguns favoritos destacados) é uma temeridade que o temperamento de Dunga não se dá com frequência.
E aí voltamos ao início: quem no campo deve ser a peça principal para conferir a objetividade e até o espaço para firulas ocasionais? Sim, ele, o Volante. O técnico da seleção (a única que nem precisa de adjetivo...) tem de preencher bem essa função. É por aí que tem de se começar a montar o time. Os "xerifes" dele não são os melhores disponíveis, mas ele acredita neles. Esse caso me faz lembrar de Marcos, constestado em 2002, mas que hoje é lembrado como um dos artífices da belíssima vitória sobre os alemães em Yokohama. Felipão confiava nele e isso fez com que víssemos um dos maiores da posição em ação num campeonato de alto nível (não obstante a arbitragem - que apesar dos desacertos, acabou por colocar frente a frente as duas maiores forças do futebol, as quase antípodas...). Mas não adiantemos os sucessos. Como bom Volante que foi (cujo maior defeito foi ter trajado vermelho) essa questão é o que lhe tira o sono. E é por aí que podemos colocar a sexta taça no armário. Ou não.

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