segunda-feira, 17 de maio de 2010

Argélia, a pedra no sapato da Europa!



Os Raposas do deserto não vem pra brincadeira. Com uma classificação heróica contra os campeões africanos (Egito) dada só em um terceiro jogo, a Argélia participará pela terceira vez de uma copa. Em 82 os raposas protagonizaram a primeira vitória africana contra um time europeu em mundiais, venceram a Alemanha ocidental. Foram prejudicados por aquele histórico jogo de comadres entre Alemanha e Austria que classificou as duas pátrias de Hitler.

O destaque desse time raçudo e veloz (sim, eu já vi um jogo da Argélia!) é o meia da lazio, Meghni. Bom de bola, o rapaz já defendeu a seleção francesa nas categorias de base, mas conseguiu liberação da Fifa para estar do lado Argelino.

Como vi apenas um jogo (justamente na vitória contra o Egito que garantiu a classificação), não posso me aprofundar na análise futebolística dos representantes do Magreb, mas arrisco dizer que a briga por uma vaga será boa contra Eua, Eslovênia e porque não Inglaterra (que não é um bom time nem na Escócia).

Porque um país africano cheio de gente "branca"?

Reproduzi a pergunta de um cara do boteco onde assisti, ano passado, a vitória da Argélia sobre o Egito. Ele dizia: "não tô entendendo nada! eliminatórias africanas com dois times de gente branca!". Pois é, Argélia, Tunísia, Egito, Marrocos, Líbia e Saara Ocidental, formam a região do Magreb, que mistura a presença do maior deserto do mundo com rotas geopolíticas de extrema importância (desde muito antes do capitalismo): Rio Nilo, Mar Mediterrâneo, e a proximidade com a Europa são alguns dos fatores preponderantes pra isso. O lugar é de domínio árabe há pelo menos uns 1200 anos, apesar das investidas espanholas e do restante dos países colonialistas.

No caso Argelino, o domínio Otomano foi ameaçado pelos franceses, que colonizaram o país em 1830. De lá até meados do século XX o que houve não apresenta diferenças significativas em relação a outros países invadidos por europeus. Porém, no campo da resistência, os Argelinos tornaram-se uma grande referência: no fim dos anos 1940, cria-se a Frente de Libertação Nacional (FLN), organização que empreende a guerrilha no campo e na cidade a fim de obter a independencia nacional. Foram anos initerruptos de combates que contaram com atos considerados como "terrorismo", como por exemplo, emboscadas na cidade européia (centro de Argel, que era na prática, proibida para os "árabes", nativos) para executar civis franceses (na verdade uma classe média chata que tirava férias para desfrutar uma das colônias francesas). O que pouco se conta é o método das Legiões Estrangeiras e dos Paraquedistas (repressão francesa) para sufocar a guerrilha. Torturas, e vôos livres de aviões em pleno mar mediterrãneo foram algumas das "técnicas" militares usadas por De Gaulle e cia.
Apenas em 1962, os franceses (que já haviam tomado uma surra na Indochina) recuam e admitem a independencia da Argélia. Infelizmente as mesmas elites mantiveram-se no poder, preservando a distância entre ricos e pobres, ou o que dá quase no mesmo, entre franceses e árabes.

Grandes artistas, atletas e cientistas franceses tem sua origem nas terras da Argélia. A imigração, fruto de grande preocupação dos direitosos franceses, não diminui. Foi assim que a família de um gênio de nossa arte foi parar em terras de Sartre (que aliás foi um francês anticolonialista!): Zinedine Zidane, o Zizu tem cara de árabe, jeito de árabe e pais árabes! Imagina se o Le Pen te pega hein Zizu!

PS: uma indicação que não posso deixar de fazer é a do filme "A batalha de Argel" do cineasta Gillo Pontecorvo. A película genial mostra um pouco da resistência da FLN e do sentimento argelino em relação à colonização. Simplesmente imperdível!!!

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