Atualmente, nem sombra disso. Um meio campo bom e recheado de jogadores com rodagem pelos melhores clubes da Europa. Na defesa, um bom goleiro, em excelente fase (mas que não foi o bastante para impedir o vexame, em casa, diante do Bayern na semi da UCL) ; zagueiros na mèdia, ou um pouco acima, dois laterais de algum talento. No ataque, uma vez sem Benzema, do Real, fica na dúvida se o 4-2-3-1 com Anelka como atacante de ofício dará conta da tarefa. Sempre achei esse Anelka meio madrake, mas ele faz gols pelo Chelsea, garantindo a excelente fase do mesmo. Mas nada extraordinário, como lembra PVC em sua análise do esquadrão azul. Se tiver aplicação tática, pode render durante. Ainda é uma incógnita.
Os embates dos franceses com países de África sempre geram uma certa expectativas, principalmente, quando se trata de um dos ex-escravizados no período colonial e imperilaista francês. Hoje, numa guinada ainda mais conservadora, depois de 14 anos de Chirac, a França volta a ter um governo conservador, mas que aparenta tentar uma nova espécie de lideranças para a Zona do Euro, num contraponto ao apoio quase incondicional dos britânicos às iniciativas ianques. Agora, depois da crise mundial e das medidas impopulares contra os trabalhadores, os franceses tem de realocar esforços para administrar ônus que se abaterá sobre a população. A batata já assou.
Bem, a tradição francesa, tão largamente analisada, não poderia ser feita aqui sem parecer coisa de gente raivosa ou babação de ovo; perfiro mencionar que foi bom para eles, e mal pro resto, em geral. E muita gente boa já escreveu verdadeiros tratados sobre isso. Abstenho-me pois da tarefa. Afinal, eles foram donos da língua franca durante algum tempo, bem como do status intelectual de nação de grandes pensadores por um tempo ainda maior. E isso deixa marcas na história deste país pela suas características mais reincidentes. Mas nada que seja fortemente ligado ao futebol, exceto pelo detalhe dos imigrantes.
Muitas vezes filhos dos tiranizados pelo período de invasão francesa mundo a fora, esses renegados, como no caso de Zizu, foram que repuseram a França no mapa do futebol e ainda deram a primeira taça dos franceses em mundiais. E em casa. Na semana da comemoração da queda da Bastilha, momento cívico mais importante do país. Isto, 8 anos depois, não impediu Le Pen, o político direitoso mais tenebroso da França declarar que a seleção dos bleus não era tão a "cara da França", por causa justamente do número de imigrantes (negros em sua maioria) que faziam da França um time a ser respeitado e que fez o currículo listado acima, apesar do começo algo desastroso (empatou até com a Coreia do Sul). E esse tal modelo assimilacionista às culturas ditas "de fora" certamente não tem dado muito certo diante das tentativas que o estado tenta de fazer uma homogeneização cultural do país (não obstante seus 246 dialetos...).
Essa seleção, de Raymond Domenech, já chega à copa com o peso de uma classificação fraudulenta, sem ser cabeça de chave (o que poderia tê-la colocado no grupo do Brasil, por exemplo - embora o Brasil seja um freguês recorrente em mundiais) e sem levar um dos jogadores mais badalados (don' t believe in hype...), bem como o experiente Vieira, banco de luxo na Inter favorita (e que acabou de vencer seu quinto título italiano consecutivo) pra levar a UCL, companheiro do também ausente Zanetti (Pô, Maradona!). Se ganhar velocidade correndo por fora, quem sabe não possa ter futuro?
Do time, além da falta de um talento fora de série, é um time que não tem tido vida fácil desde as eliminatórias. Ribéry, apesar de seus gostos estranhos, tem sido fundamental na boa campanha do Bayern na UCL, mas não parece poder carregar um time nas costas, nem fazer o time jogar por música, como o maestro Zidane. Muito menos o jovem Gorcouff, apesar de sua excelente temporada pelos Girondins. E embora com uma vitória surpreendente em Dublin, quase pôs tudo a perder no Stade de France, aquele mesmo onde eles atropelaram o Brasil em 1998, diante de uma esforçada Irlanda. Não fosse a ajudinha da arbitragem, eles possivelmente nem estariam por aqui. Vamos ver onde vão chegar; que eles torçam para que a sorte não tenha ido toda no sorteio...
Goleiros: Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Marsella), Cédric Carrasso (Bordeaux), Mickaël Landreau (Lille)
Zagueiros: William Gallas (Arsenal/ING), Eric Abidal (FC Barcelona/ESP), Bakary Sagna (Arsenal/ING), Patrice Evra (Manchester United/ING), Rod Fanni (Rennes), Gaël Clichy (Arsenal/ING), Marc Planus (Bordeaux), Anthony Réveillère (Lyon), Adil Rami (Lille), Sébastien Squillaci (Sevilla/ESP)
Meio-campistas: Abou Diaby (Arsenal/ING), Alou Diarra (Bordeaux), Lassana Diarra (Real Madrid/ESP), Yoann Gourcuff (Bordeaux), Yann Mvila (Rennes), Florent Malouda (Chelsea/ING), Jérémy Toulalan (Lyon)
Atacantes: Nicolas Anelka (Chelsea/ING), Hatem Ben Arfa (Marseille), Jimmy Briand (Rennes), Djibril Cissé (Panathinaikos/GRE), André-Pierre Gignac (Toulouse), Sidney Govou (Lyon), Thierry Henry (FC Barcelona/ESP), Franck Ribéry (Bayern Munique/ALE), Mathieu Valbuena (Marseille)

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