terça-feira, 11 de maio de 2010

Depois do dilúvio...


É, foi como se esperava. Um time sem graça, mas eficiente. Notem o detalhe de colocar, abaixo das especificações de cada atleta (clube, local de nascimento, etc.) os títulos conquistados pelos jogadores. Foi a tecla que o Anão-mor da nação bateu na coletiva: vocês podem não gostar dessa seleção, mas ela é recheada de vencedores. Gente com lista de serviço quase impecável na era Dunga (esta sim, uma era mesmo...). Estes três anos e meio podem não ter encantado o mundo, mas colocou medo nos adversários.

Mas medo de quê? Se é um time limitado pela técnica, com jogadores contestáveis e depositando as esperanças num craque me má fase, onde se pode ver motivo para receio dos outros selecionados para este mundia? Pergunte à Argentina e Uruguai. Itália, Alemanha e um monte de outrso times que penaram com esse futebol feio da seleção. Se foi feio, ao menos foi eficiente e vencedor. Esse foi o sinal que Dunga enviou. Ele, em verdade, parecia querer blindar seus protegidos, colocando os títulos de seus comandados com a seleção. E nos fez lembrar que, nas horas difícies e com os títulos suados, mas incontestáveis, quem é que se compremeteu mesmo.

Os recados foram diretos: Adriano cansou de (se) desperdiçar e não quis se ajudar: sacado. Ronaldinho Gaúcho ensaiou uma rebelião anos atrás, refugou na Copa América (aquela do time "B", sem Kaká e com o JB fazendo gol na final - mas também com Afonso, Fernando...) e ainda não jogou nada nas olimpíadas, quando foi convocado para finalmente ganhar o título importante que nos faltava: sacado. Ganso, Neymar: sacados. Por quê? Ora, eles não era da confiança de Dunga. E confiança tem de ser mútua. Convocá-los mostraria pusilanimidade. E não estava nos planos ser pusilânime quando se passou tudo o que ele disse ter passado por estar no comando.

Roberto Carlos? Depois de 2006, levá-lo era uma temeridade desnecessária: sacado. E com um detalhe: quando Dunga falou de jogadores que desistiram de serem convocados e agora diziam que queriam uma nova chance, o fel escorria de sua boca e ele foi irônico: agora, parece que voltaram a querer defender a seleção. Apesar dos tropeços na dicção, Dunga foi claro no recado: aqui não é um time de estrelas, mas de vencedores; azar de quem não quis partilhar as vitórias.

Não levar Marcelo, Hernanes e Victor justificariam-se por causa da tal "coerência" (seja lá o que isso for) que fez testes e observou este jogadores em momentos que não deram a resposta adequada. MAs, especialmente de Victor, se deveu também à recompensa ao Doni: ele tomou um gancho depois de ter ido à revelia do clube participar de um amistoso. Já Hernanes e Marcelo, foi mais ou menos o mesmo: com o agravante de que perdemos a oportunidade de levar jogadores que poderiam dar luminosidade e variações às jogadas quase manjadas do time do Anão.

Certamente, vai dar emoção ver este time jogar. Nem sempre boa, mas certamente vai ser trepidante. Como tem sido estes anos da era Dunga. Se se confirmar o que vem acontecendo, Dunga consegue a façanha de levar um time algo apagado a ter a glória de levar um caneco; um golpe duro no futebol bailarino e confirmando uma fase do futebol em curso desde 1994 com a seleção do Parreira, e vem crescendo com certa estabilidade (lembra da Grécia de 2004? Once Caldas - não podia perder esta..., Porto do Mourinho...). Se no mundial da Alemanha reunificada deu um time que se não jogava realmente feio, ganhou o título jogando feio, falta agora um mundial com uma equipe pragmática e sem graça até a medula. E nesse caso, surpreendentemente, seria o Brasil a inaugurar essa nova fase. Ou consolidá-la. Mas é surpreendente mesmo?

P.S.: a última referência incide sobre o fato de o Brasil, em 1958 inaugurou uma nova forma de jogar o mundial: jogando com arte e esmero, sem a determinação limitada e se convertendo num domínio que até hoje não encontrou paralelo. Quando não se tem Pelé, vai-se de JB? É o que o Dunga pareceu nos dizer esta tarde.

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