quinta-feira, 17 de junho de 2010

Primeira rodada - Notas e justificativas



Bão, a coisa ficou feia nestas últimas semanas e acabou que tempo para postar sobre as belezas de seleções que me foram designadas faltaram; e a tristeza de pela primeira vez, desde 1994, não poder ver os jogos que quero (ou seja, todos) tem tornado a tarefa ainda mais ingrata. De qualquer forma, pitaco sempre dá para lançar...

Comecemos pelo final: o jogo hoje dos falsamente favoritos espanhóis foi um exemplo do que é este mundial em África. Mais que equilibrado, é um mundial cauteloso, onde equipes favoritas preferem não inventar a por tudo a perder; ousam pouco e acabam por serem reféns de equipes teoricamente mais fracas, mas que compreendendo claramente suas limitações, exploram as eventuais falhas das equipes mais badaladas. Ponto para Suíça que num gol tipicamente de trombada, fez três pontos e força a Fúria a ou se converter em realidade no lugar da promessa ou a cair na primeira fase (França 2002, Argentina 2002, Colômbia 1994...). Nunca disse que eram favoritos porque time que perde pros EUA (os mais burocráticos do momento) não pode ser realmente levado a sério.

Chile e Honduras, pouco posso falar: não só não me chamou muito atenção como virou um apêndice num grupo onde veremos uma Suíça tentando manter um recorde histórico de cerca de 8 horas sem tomar gol (com uma eliminação nos penais para a Ucrânia no mundial da Alemanha) e levar uma vaga que parecia fadada a ser de coadjuvante e uma Espanha desesperada para para de morrer na praia... No mínimo a chave H se converte em trepidante.

Já na chave F, a Itália tentou, tentou, mas os Paraguayos seguraram bem e até saíram na frente; pode ser promissor, mas as falhas ofensivas ainda são preocupantes: pouco para alguém que quer finalmente passar das oitavas, ainda mais se tiver de cruzar com os holandeses, candidatos ao troféu "Tony Garrido" (não entendeu? veja isto aqui), que embora tenham devido na primeira rodada e usado desculpas de timinho (longe do franco favoritismo que carregou na Euro2008 e que caiu diante de uma Rússia letal), devem passar sem maiores dificuldades. De resto, na mesma chave E dos laranjas, o Japão matou com um tiro certeiro Camarões e se aproxima da próxima fase, provavelmente empurrando para a última rodada a decisão c0ntra os esforçados, porém nada empolgantes, dinamarqueses. Os africanos ficam correndo por fora e precisam derrotar os dois europeus para tentarem alguma coisa. Difícil.

De Nova Zelândia e Eslováquia, francamente... vieram para figuração e sairão pela porta dos fundos. Talvez seja a chave onde seja menos arriscar prognósticos: embora, será certamente o saldo que definirá quem encara a Holanda na próxima fase. Prosseguindo nossa regressão, chegamos ao grupo (D) do favorito que jogou e convenceu: mais uma vez a Alemanha não perdoa um adversário tecnicamente mais limitado e atropela com 4 gols, das 4 principais opções ofensivas. Destaque para Mueller, que em vez de reclamar da bola, parece que aceitou o desafio de faze-la rolar redonda; como Lahm em seu passe cheio de efeito para a cabeçada do eficiente Klose (talvez o melhor cabeceador em atividade). Parece que a Jabulani só foi ruim pra quem é preguiçoso... Os chucrutes passam com folga e provavelmente já se classificam nessa sexta com uma vitória simples sobre os combalidos sérvios, que perderam para os ganenses e abrindo espaço para uma eventual segunda classificação consecutiva para a fase de oitavas do time de Gana. Depois de longos anos tendo um sucesso razoável nas categorias de base, a geração amadureceu e mostra um futebol dos mais competitivos do continente Negro. Torçamos para que a coisa vá em frente e eles matem a pobre Austrália e garantam um jogo mais tranquilo contra os tricampeões na última rodada.

Na chave C, peloamordedeus!. A Inglaterra, outra das hypeadas e que nunca foi favorita a nada, desde o título mandrake de 1966, não tem nem goleiro pra disputar o mundial. Bem feito. Os ianques, que não deviam nada a ninguém e tem o título de selecionado mais enjoado do planeta (lembra o que eles aprontaram contra os espanhóis no ano passado? e o que eles quase aprontaram com os pentacampeões do mundo?); resta agora saber se Argélia e Eslovênia (esta depois de uma vitória simples contra aquela) poderão mesmo fazer frente aos dois candidatos à vaga no grupo. Pelo pouco que consegui ver, acho que não.

Os argentinos venceram, Messi jogou bem, mas não marcou; se pá, pode crescer na competição, mas acho difícil a Argentina fazer frente a outros favoritos sem que consiga de fato se desdobrar e corrigir as falhas grotescas de posicionamento que a pesada e insegura defesa argentina apresentou: imagina se no lugar da Nigéria fosse o Brasil... seria uma reedição do jogo de Rosário, ano passado... A Coreia (a do sul, né?) acabou por vencer os cintura-dura dos gregos e aproximaram os ex-campeões europeus (lembra Felipão?) de mais uma eliminação precoce no mundial (engraçado que da última vez também havia Nigéria e Argentina no grupo, em 1994). Já na chave A, uma rodada morna no começo e uma reabertura decepcionante para os donos das vuvuzelas mais barulhentas: os charrúas atropelaram os Bafana e se aproximam de um retorno histórico à fase de oitavas num mundial. Confesso que torço que a evolução ascendente continue e que a excelente temporada dos atacantes uruguayos ajudem a elevar o nível nas fases eliminatórias do torneio. A França, mais uma vez, chega pressionada a uma segunda rodada, tendo de enfrentar um México que se complicou contra o time de Parreira e que agora tem de vencer pra voltar pra briga ou então deixar de ir para as oitavas, como não acontece desde muito tempo. A chapa esquentou mesmo.

Para encerrar, os maiores favoritos: a chave G, considerada por muitos como "grupo da morte" da vez teve um empate sem gols entre duas equipes muito ofensivas e incisivas e o maior de todos os favoritos sendo tragado pela retranca norte-coreana. Muito se falou da atuação da Seleção, mas verdade é que dos times que estrearam e ficaram devendo, é o que mais apresenta possibilidade de reação. Se para holandeses virar o jogo é uma tarefa hercúlea, o Brasil mostrou que tem insisteência e até peças capazes de furar um bloqueio aplicado taticamente como os rapazes da fraca Coreia (desta vez, a do norte): o gol de Maicon mostrou que quando a coisa engrena, uma lance meio de sorte, meio de estilo (afinal, não é o primeiro nem será o último gol que ele fará assim...) pode fazer a coisa engrenar. Só precisamos que Kaká se recupere de fato para que a arma mais letal do Brasil, o contra-ataque mortal com ele conduzindo e distribuindo rapidamente as jogadas, funcione a contento. Promissor, mas ainda muito aquém do que poderia ser, certamente. Cada vez mais difícil fica deixar Daniel Alves fora desse time, bem como a participação incisiva (e decisiva) de Elano (uma assistência, um gol): se Robinho não fez o dele, foi por detalhe mesmo. Assim dá pra sonhar, mas com os pés bem plantados no chão, como manda o figurino de uma seleção que não gosta de correr riscos desnecessários. Para uma primeira rodada, foi pouco, mas pode render mais.

De mais a mais, a média baixa de gols, a barulheira nos jogos, o clima, a organização, tudo isto tem sido desculpa para desmerecer o primeiro mundial feito no continente africano; mas jogar bola que é bom, muito pouca gente jogou. Cravo meus favoritos em Brasil e Alemanha; Itália e Argentina fazem as vezes de coadjuvantes de luxo; Uruguay, Holanda e Inglaterra estão no páreo e precisam se esforçar para adquirirem a consistência necessária para ameaçar os grandes favoritos; Espanha e França são fortes candidatas decepção (já não vimos esse filme antes?) e a Suíça pode ser a zebra que ninguém vai querer encontrar, assim como os enjoados estadunidenses. Quanto a Portugal e Costa do Marfim, depende de como se saíram nos embates contra os pentacampeões, mas ainda não se pode dizer com certeza para onde isso vai. Ao fim da segunda rodada, certamente, será possível acompanhar mais de perto como vão andar as coisas mesmo. O mundial começa a esquentar...

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